Centrado no estudo do entristecimento medieval, o presente artigo visa à compreensão histórica da articulação entre emoção e sociedade. Para tanto, são apresentados conceitos e metodologias oriundos dos estudos históricos das emoções, bem como se realiza análise tópica e semântica de vastas bases de dados congregando importantes coleções de textos medievais redigidos por membros do clero. Tal abordagem, situada entre história das emoções, das práticas escritas, das relações sociais e as humanidades digitais, permite conhecer e delimitar a formação e a afirmação de um regime emotivo salvífico, bem como de comunidades emocionais centradas em comunidades eclesiais. Ao final do percurso analítico é possível esboçar o estabelecimento histórico de uma relação entre entristecimento e ordem social: o entristecimento era, para muitos clérigos medievais, um sinal da retidão espiritual que deveria conduzir certas ações mundanas da comunidade de fé; comunidade essa que deveria, por sua vez, permanecer sensível às injustiças cometidas contra seus membros ou suas coletividades. Desse modo, estabeleceu-se uma forma de eclesiologia emotiva pautada pelo entristecimento
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CASTANHO, G. Tristes tópicos: esboços para uma história do entristecimento medieval. BRATHAIR (ONLINE), v. 23, p. 317-347, 2024.