Esta comunicação segue na esteira do trabalho desenvolvido por mim sobre o tema até então, a saber, a investigação da corrupção no período carolíngio a partir de sua análise semântica. Ao estudarmos o poema Contra os Juízes de Teodulfo de Orleães, escrito no final dos anos 790 E.C., percebemos que a linguagem da “corrupção” estava majoritariamente ligada ao recebimento de presentes (e, por consequência, à possibilidade da venalidade de sentenças). Este fenômeno também foi observado na documentação normativa do período, especialmente nos cânones oriundos das reuniões episcopais, que condenavam, entre outras coisas, o recebimento de presentes em troca da obtenção de cargos eclesiásticos. Nesta comunicação, ainda que mantenha sob os olhos a documentação normativa (no caso, os capitulários expedidos pelos príncipes carolíngios entre 768 e 884), meu foco é tentar compreender a amplitude do campo semântico da corrupção. Afinal, diferentemente do poema mencionado anteriormente, o termo “corruptionis” aparece nos capitulários. De que maneira essa particularidade pode contribuir para o entendimento da corrupção no período medieval?
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RIBEIRO DA SILVA, T.J.. A corrupção à época carolíngia: o caso dos capitulários reais (768-840). In: Maria Filomena Coelho. (Org.). II Encontro De Corruptione : atas. 1ed.Brasília: Editora da Universidade de Brasília / Caliandra, 2024, v. 1, p. 24-33.